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24/04/2019 | Camila Almeida

Onde foi parar o prazer no aprender?

O processo de aprendizado quando virou sistema educacional, foi adaptado para suprir três necessidades básicas do nosso país: Alimentar o sistema econômico, garantir um “padrão” de sociedade e gerar números para alavancar resultados quantitativos. O principal impacto dessa mudança é que o propósito de capacitar pessoas e focar no processo pedagógico, foi substituído pelo foco em dar energia na sustentação desse modelo e objetivos distorcidos.

Fato é, estamos passando por uma transição e questionamento do que é certo e errado, e reflexo disso é a forma como a educação alimentou o nosso modelo de sociedade e economia, que na minha humilde percepção não fazem mais sentido. Imagina se as pessoas que estão colocando as fichas na faculdade, souberem que 88% dos que se formaram ganham menos que 3 mil reais (fonte: Agência Brasil). Isso é ruim para quem investiu tempo e energia e horas sentados em uma sala durante anos, mas é ótimo para as instituições de educação que vão encher o bolso com especializações parceladas.

Para as crianças a função é manter os pais livres para “bater o cartão”. Para os adolescentes, é forçar a escolha de uma profissão sem saber na prática o que é trabalhar. Para a faculdade é iludir que o que você vai aprender em uma sala de aula, vai te tornar um profissional de sucesso. E já que essa alternativa foi descartada, nada melhor do que criar as extensões e especializações para vender mais cursos.

Dessa forma, a conclusão acaba se tornando: Estudar é muito chato. E o que você faz da sua vida muito bem quando você não sente prazer de verdade? Eu sei que deu muito trabalho ter passado por tudo isso e assumir para si mesmo se torna difícil. O problema é que por trás de um perfil profissional atualizado, tem muito medo, frustração e dor. O desafio é, se as coisas sempre funcionaram assim, o que eu devo fazer? Quebrar esse modelo de repetição é complexo e as soluções radicais como sabático, virar guru ou mudar de país talvez não vão resolver esse problema e todos os outros.

Acredito que o primeiro passo é colocar você no centro disso tudo, lugar que não deveria ter saído nunca, e começar a construir uma carreira líquida onde você busque as prioridades no que te dão energia e prazer. Ao invés de buscar a especialização míope, busque a especialização distribuída. O Google não necessariamente é a melhor forma de começar esse processo e nem a alternativa mais barata e rápida. Quando percebermos que o processo de aprendizado é a única forma de sair dessa inércia da rotina, e buscarmos empresas especializadas que podem desenhar um processo de aprendizado personalizado para você, talvez a educação deixe de ser ensino para ser aPRAZERdizado.

“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.”

Confia no seu processo. Siga o conselho do meu amigo Paulo Freire.

Escrito por Aziz Camali, sócio e co fundador da SKEP.

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